quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

NÚMEROS INTEIROS

Para se chegar à concepção do que sejam números inteiros, os matemáticos levaram séculos e séculos. A necessidade de contar objetos, em geral, fez com que o conceito do número natural fosse criado. Dessa forma, cada civilização desenvolveu o seu sistema de numeração. Com o passar dos tempos e o surgimento do comércio, houve a necessidade de expressar valores relacionados às transações comerciais, como, por exemplo, as dívidas. Assim, os números negativos surgiram pela primeira vez na China. Os chineses utilizavam duas barras coloridas: uma na cor vermelha, que simbolizava os números positivos; e a outra preta, para indicar os negativos. No século VII, os hindus já usavam valores negativos. Brahamagupta, astrônomo hindu, estabeleceu algumas regras e escreveu os números negativos envolvidos em círculos com um apóstrofo sobre eles; entretanto, Bháskara, ilustre matemático hindu, considerou os números negativos como perdas e dívidas. Até os séculos XVI e XVII, muitos matemáticos, ao chegarem a um resultado negativo, consideravam esses resultados falsos ou impossíveis. Somente no século XVIII, com a interpretação geométrica dos números positivos e negativos como sendo segmentos de direções opostas, é que os números negativos finalmente foram aceitos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

TEORIA DOS JOGOS

A teoria dos Jogos é, sobretudo, um estudo de estratégias: o que cada jogador tem de fazer para obter o resultado que lhe convém.
Imagine uma viúva que vivia com suas duas filhas. Todo dia, ao voltar para casa, trazia um pedaço de bolo. E se esforçava para dividi-lo em duas fatias exatamente iguais. Cada filha, porém, sempre achava que a mãe dera o maior pedaço à outra.
A mãe sofria. As duas - com aquele maquiavelismo típico das crianças ao perceberem que os pais são manipuláveis - atormentavam em conjunto a pobre mulher. Era um jogo.
Um jogo fácil de resolver por meio da lógica.
Num desses dias em que trazia novamente um pedaço de bolo, a mãe pediu que uma das filhas dividisse o bolo e à outra que fizesse a escolha primeiro. Pronto. Ninguém poderia reclamar de ninguém.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Poema Matemático

"Às folhas tantas do livro de matemática, um quociente apaixonou-se um dia doidamente por uma incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a, do ápice à base. Uma figura ímpar olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua uma vida paralela a dela até que se encontraram no infinito.
"Quem és tu?" - indagou ele com ânsia radical.
"Eu sou a soma dos quadrados dos catetos, mas pode me chamar de hipotenusa".
E de falarem descobriram que eram o que, em aritmética, corresponde a almas irmãs, primos entre-si.
E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação traçando ao sabor do momento e da paixão retas,
curvas, círculos e linhas senoidais.
Nos jardins da quarta dimensão,
escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas e os exegetas do universo finito.
Romperam convenções Newtonianas e Pitagóricas e, enfim,
resolveram se casar, constituir um lar mais que um lar, uma perpendicular.
Convidaram os padrinhos:
o poliedro e a bissetriz, e fizeram os planos, equações e diagramas para o futuro,
sonhando com uma felicidade integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos
e foram felizes até aquele dia em que tudo, afinal, vira monotonia.
Foi então que surgiu o máximo divisor comum,
freqüentador de círculos concêntricos viciosos,
ofereceu-lhe,
a ela, uma grandeza absoluta e reduziu-a a um denominador comum.
Ele,
quociente percebeu que com ela não formava mais um todo, uma unidade.
Era o triângulo tanto chamado amoroso desse problema,
ele era a fração mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser moralidade,
como, aliás, em qualquer Sociedade ..."

Millor Fernandes